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04/08/2026 - 11:09 PM
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A Farsa da União: Ambição, Traição e o Espetáculo do Poder em Rondônia

 

O grupo que se formou em torno de Marcos Rogério escancara que, na política rondoniense, o projeto de poder sempre supera qualquer compromisso com a população. Pedágio mortal, velhos rivais de mãos dadas e oportunistas de última hora compõem o enredo

A política tem dessas ironias. Em Rondônia, enquanto a população paga caro literal e metaforicamente para trafegar por uma BR-364 que mais parece uma armadilha mortal, um grupo político se articula movido por uma força que não encontra resistência: a ambição pessoal.

Liderado pelo senador Marcos Rogério (PL), o bloco que se prepara para disputar o comando do estado em 2026 é um retrato fiel de como o jogo político muitas vezes ignora os reais interesses da sociedade. Trata-se menos de um projeto de governo e mais de um projeto de poder, costurado com alianças que desafiam a lógica e a coerência.

*A trinca do poder e o enterro das rusgas*

O ponto central desse tabuleiro está na aliança improvável entre Marcos Rogério e o atual prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (PL). Os dois protagonizaram embates memoráveis em eleições passadas, com trocas de farpas e acusações públicas que, em dado momento, escaparam do campo das palavras. Durante um evento particular nos arredores do Congresso Nacional, em Brasília, os ânimos subiram a tal ponto que a discussão quase chegou às vias de fato um episódio que muitos que acompanham a política local nunca esqueceram.

Agora, interesses mútuos fazem com que o passado seja varrido para debaixo do tapete. O prefeito de Porto Velho, que já disputou palmo a palmo com o senador, agora caminha ao seu lado, indicando o nome para compor a chapa majoritária.

E que nome! Para vice na pré-candidatura de Rogério ao governo, foi escalado o deputado estadual Rodrigo Camargo, figura que representa a ala mais radical da direita conservadora. Católico declarado, ele se une a Rogério, que é evangélico e também carrega bandeiras ideológicas que pouco dialogam com as necessidades prementes dos trabalhadores rondonienses.

A trinca formada por Marcos Rogério, Léo Moraes e Rodrigo Camargo não é uma soma de projetos, é um amontoado de ambições, onde o que importa é o poder, e não o serviço público.

*O pai do pedágio e os 8 anos de ausência*

Talvez nenhum outro tema seja tão emblemático da contradição que envolve Marcos Rogério quanto a BR-364.

Durante oito anos, o senador esteve distante do estado, dedicando-se a uma agenda alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às pautas da extrema-direita em Brasília. Enquanto isso, Rondônia via a concessão da rodovia avançar sob um modelo que ele, hoje, critica mas do qual foi um dos principais responsáveis.

A Nova BR-364 se instalou no estado, e a cobrança de pedágios começou em janeiro de 2026, com valores que chegam a R$ 37,00 na praça de Cujubim um dos mais caros do país para veículos de passeio. A rodovia, que deveria ser o principal corredor de escoamento da produção do estado, virou sinônimo de descaso e morte.

Dados recentes indicam que os acidentes fatais cresceram cerca de 90% nos trechos sob concessão em relação ao mesmo período do ano anterior, com 21 mortes registradas. A população paga um dos pedágios mais altos do Brasil para trafegar em uma rodovia com buracos, sem a duplicação prometida apenas cerca de 100 quilômetros de duplicação previstos em todo o contrato.

É o que muitos já chamam de “pedágio para morrer”. E Marcos Rogério, que agora se diz preocupado com o modelo, foi um dos arquitetos dessa concessão enquanto representava os interesses do estado em Brasília.

*O cão de guarda e o traidor*

Para completar o quadro, o grupo apresenta dois nomes que sintetizam o espírito da empreitada.

Bruno Scheid, que se autointitula “Bruno Bolsonaro”, é o candidato ao Senado lançado pelo grupo. Trata-se de um completo desconhecido no cenário político. Nunca foi presidente de bairro, vereador, prefeito ou ocupou qualquer cargo público. Sua única credencial é a defesa ferrenha do ex-presidente durante os atos de 8 de janeiro, atuando como um verdadeiro cão de guarda do bolsonarismo em Rondônia. Sem trajetória, sem currículo, sua candidatura se resume ao sobrenome que adotou e ao apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Pre-Candidato a Presidência, uma clara demonstração de que o projeto é de poder, não de serviço público.

Já o deputado federal Fernando Máximo tem uma história que envergonha qualquer eleitor atento. Eleito graças à estrutura que recebeu como secretário de Saúde do governo Marcos Rocha, Máximo virou as costas ao governador que o alçou ao cargo. É acusado de defender envolvidos em denúncias de corrupção, como no caso da compra de testes rápidos de covid-19 durante a pandemia, e sua traição ao governo estadual é pública e notória.

Sua aproximação com o grupo de Marcos Rogério consolida a imagem de uma verdadeira quadrilha política que troca interesses, abandona aliados e se move exclusivamente pelo vento que sopra a favor.

*O preço da ambição*

O que se vê em Rondônia é a formação de um bloco que representa a antítese da política democrática. É um movimento que não se sustenta em propostas, mas em ambição. Não se preocupa com a população, mas com o poder. Une adversários, abriga oportunistas e traz ao primeiro plano figuras cuja única ligação é o desejo de comandar o estado.

Marcos Rogério, Léo Moraes, Rodrigo Camargo, Fernando Máximo, Bruno Scheid, além do senador Jaime Bagattoli e do deputado federal Coronel Crisostomo todos eles, juntos, formam um bloco que pode até ter força nas urnas, mas que, para o povo de Rondônia, representa a continuidade de um ciclo vicioso: o poder pelo poder, a qualquer custo.

Por:Márcio Santos- Jornalista, DRT/RO–1.118

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