Presidente nacional do partido afirma que a legenda vai priorizar a reorganização interna, o crescimento da bancada na Câmara e a construção de um projeto para 2030.
O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves, confirmou que não disputará a Presidência da República nas eleições de 2026. Com a decisão, o partido também não deverá lançar candidato próprio ao Palácio do Planalto.
A nova estratégia da legenda foi confirmada nessa quinta-feira (9) e marca uma mudança no posicionamento tucano para a disputa nacional. Em vez de entrar na corrida presidencial, o PSDB pretende concentrar esforços na reorganização interna, no fortalecimento da bancada federal e na preparação de um projeto político voltado para 2030.
Aécio afirmou que avaliou o cenário eleitoral e concluiu que não há espaço, neste momento, para uma candidatura de centro. Segundo ele, a disputa presidencial de 2026 tende a ser marcada pela polarização entre os grupos liderados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Flávio Bolsonaro.
O dirigente tucano declarou que o debate nacional está mais voltado à derrota do adversário do que à apresentação de propostas para o país. Para ele, esse ambiente dificulta a construção de uma alternativa competitiva fora dos dois polos principais.
A decisão encerra meses de especulações sobre uma possível volta de Aécio Neves à disputa presidencial. Em 2014, ele foi candidato ao Planalto pelo PSDB e chegou ao segundo turno contra Dilma Rousseff, em uma das eleições mais acirradas da história recente do Brasil.
Nos últimos meses, lideranças da federação formada por PSDB, Cidadania e Solidariedade chegaram a defender publicamente o nome de Aécio como alternativa de centro para 2026. Entre os apoiadores estavam o ex-senador Roberto Freire e o deputado Paulinho da Força.
Nos bastidores, Aécio também buscou diálogo com diferentes partidos para avaliar a viabilidade de uma candidatura. Antes disso, tentou convencer Ciro Gomes a representar esse campo político na disputa presidencial, mas as conversas não avançaram, e Ciro optou por disputar o governo do Ceará.
Sem candidatura própria à Presidência, o PSDB pretende priorizar o crescimento de sua representação na Câmara dos Deputados. A legenda, que já teve uma das maiores bancadas do país, conta atualmente com 18 deputados federais.
A meta de Aécio é ampliar esse número nas eleições deste ano, elegendo entre 30 e 35 parlamentares. O dirigente avalia que o partido teve desempenho positivo durante a janela partidária e poderá surpreender no pleito.
Além da Câmara, o PSDB também aposta em candidaturas estaduais. Entre os nomes citados estão Ciro Gomes, no Ceará; JHC, em Alagoas; Vicentinho Júnior, em Tocantins; Marconi Perillo, em Goiás; e Maranata, no Rio Grande do Sul.
Aécio afirmou que, após o segundo turno das eleições de 2026, o partido deverá iniciar a construção de um projeto nacional para 2030. Na avaliação do presidente tucano, a polarização política ainda deve marcar os próximos anos, mas poderá abrir espaço futuro para uma alternativa de centro.
O deputado também indicou que o PSDB tende a não formalizar apoio a nenhum candidato em eventual segundo turno presidencial. Apesar disso, reconheceu que há diferentes posições dentro da legenda.
Sobre seu futuro político em Minas Gerais, Aécio disse que ainda não decidiu se disputará uma vaga ao Senado. Mesmo aparecendo bem colocado em pesquisas, ele afirma que sua prioridade é a reorganização do PSDB e que tomará uma decisão nas próximas semanas, de acordo com o cenário político estadual.