Relatos apontam promessas de apoio financeiro, materiais gráficos e equipes de rua que não teriam sido cumpridas; diferenças nos repasses levantam questionamentos sobre os critérios adotados pelos partidos políticos.
Candidatos que disputam as eleições de 2026 em Rondônia relatam dificuldades para obter recursos financeiros e estrutura de campanha prometidos por dirigentes partidários e lideranças políticas. Segundo os relatos, enquanto algumas candidaturas teriam recebido repasses expressivos, outras ainda aguardam recursos e precisam custear despesas com dinheiro próprio.
Entre as principais reclamações estão promessas de fornecimento de materiais gráficos, apoio financeiro e disponibilização de equipes para atividades de rua que não teriam sido concretizadas.
A situação tem provocado questionamentos sobre a transparência na distribuição dos recursos eleitorais e os critérios utilizados pelas direções partidárias para definir os valores destinados a cada candidatura.
Diferenças nos repasses geram questionamentos
Conforme os relatos, determinados candidatos teriam recebido valores que variam de centenas de milhares a milhões de reais, enquanto outros afirmam não ter recebido recursos financeiros ou materiais suficientes para desenvolver suas campanhas.
Há menções a repasses de R$ 5 milhões, R$ 3 milhões, R$ 2 milhões, R$ 500 mil, R$ 400 mil e R$ 300 mil. Entretanto, os valores relatados ainda precisam ser confrontados com os registros oficiais da Justiça Eleitoral.
Candidatos que alegam não ter recebido os recursos prometidos afirmam que já estão providenciando, por conta própria, a produção de materiais gráficos e outras despesas necessárias às atividades eleitorais.
A diferença de tratamento tem motivado pedidos de esclarecimento sobre os compromissos assumidos pelas lideranças partidárias e sobre a efetiva destinação dos recursos disponíveis.
O que determina a legislação eleitoral?
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, é formado por recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas.
Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que o fundo possui aproximadamente R$ 4,96 bilhões. 
A legislação estabelece que os partidos devem definir e divulgar os critérios de distribuição dos recursos, observando as regras aplicáveis às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.
Os repasses também devem seguir os critérios aprovados pelas respectivas direções nacionais. 
A distribuição de valores diferentes entre candidatos não representa, isoladamente, uma irregularidade. No entanto, eventuais descumprimentos das regras legais, dos critérios partidários ou das exigências de prestação de contas podem ser objeto de apuração.
Ministério Público Eleitoral pode investigar possíveis irregularidades
Diante dos questionamentos, candidatos e cidadãos podem encaminhar informações ao Ministério Público Eleitoral, solicitando a verificação dos repasses e da aplicação dos recursos públicos.
Entre os pontos que podem ser examinados estão os valores efetivamente transferidos, os critérios de distribuição adotados pelas legendas e eventuais divergências entre os recursos declarados e aqueles recebidos pelas candidaturas.
O Ministério Público Federal informa que denúncias de possíveis irregularidades eleitorais podem ser apresentadas pela plataforma MPF Serviços ou presencialmente nas Salas de Atendimento ao Cidadão. 
A documentação das promessas realizadas, os comprovantes de transferência e os registros de prestação de contas podem contribuir para esclarecer as situações relatadas.
Transparência e prestação de contas
Os dados referentes à arrecadação e aos gastos de campanha podem ser consultados nos sistemas disponibilizados pela Justiça Eleitoral. O TSE também publica os critérios apresentados pelos partidos para a distribuição do Fundo Eleitoral. 
A divulgação dessas informações permite que candidatos, órgãos fiscalizadores e a sociedade acompanhem a destinação dos recursos públicos e verifiquem o cumprimento das normas eleitorais.
Até o momento, os relatos apresentados não identificam formalmente os partidos ou dirigentes envolvidos, nem demonstram a existência de irregularidades específicas.
A eventual responsabilização depende da análise dos documentos e da apuração pelos órgãos competentes.
O espaço permanece aberto para que as direções partidárias e demais envolvidos apresentem esclarecimentos sobre os critérios de distribuição, os valores repassados e o apoio disponibilizado às candidaturas em Rondônia.