Colegiado também analisa pedido do Novo para abertura de investigação preliminar contra o procurador-geral da República; votação estava empatada em 3 a 3 nesta sexta-feira.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria nesta sexta-feira (25) contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, das apurações relacionadas ao caso Master. Com isso, até o momento da sessão, prevalecia o entendimento de que Gonet poderia permanecer à frente das investigações.
O colegiado, composto por nove integrantes com direito a voto, também analisa um pedido apresentado pelo partido Novo para a abertura de uma investigação criminal preliminar envolvendo o procurador-geral. Nesse ponto específico, o placar estava empatado em três votos a três.
O relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, votou contra o reconhecimento de impedimento de Gonet e defendeu o arquivamento do pedido de investigação. O entendimento foi acompanhado por Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho.
Janice Agostinho Barreto Ascari e José Adonis também se posicionaram contra o afastamento do procurador-geral da condução do caso, mas defenderam a instauração de uma apuração preliminar. Samantha Chantal Dobrowolski, por sua vez, votou pelo reconhecimento do impedimento e também pela abertura da investigação.
Até o andamento registrado durante a sessão, Ana Borges Santos, o vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand e Nicolao Dino, presidente em exercício do Conselho, ainda não haviam concluído seus votos.
A discussão no Conselho teve origem em solicitação do Novo para que Gonet fosse afastado da condução das apurações do caso Master. O partido fundamentou o pedido em informações constantes de relatório da Polícia Federal que veio a público em setembro de 2026.
Ao defender o arquivamento, Sanseverino afirmou que os dados apresentados pela Polícia Federal não seriam suficientes para indicar irregularidade praticada pelo procurador-geral. Já Dobrowolski sustentou que a situação deveria ser examinada internamente pelo Ministério Público Federal e defendeu a designação de outro integrante da instituição para avaliar a conduta de Gonet e a eventual ocorrência de ilícito.
A Polícia Federal encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens e registros em que o nome de Gonet aparece mencionado. Segundo a apuração divulgada, conversas também envolvem Ciro Soares, ex-advogado ligado ao Banco Master.
Gonet, por sua vez, afirmou publicamente que não manteve relação de proximidade com Vorcaro. Segundo o procurador-geral, houve apenas um encontro entre os dois, em abril de 2024, durante uma ocasião com a presença de outras autoridades. Ele também declarou que os elementos analisados não demonstrariam irregularidade de sua parte.
Fonte das informações: Poder360, publicação de 25 de setembro de 2026.