Decisão mantém os integrantes do partido livres para apoiar diferentes candidatos à Presidência
O Podemos decidiu não integrar a coligação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e deverá adotar uma posição de neutralidade na eleição presidencial. A escolha encerra as negociações conduzidas pelo PL para atrair a legenda e ampliar a composição partidária da candidatura.
Durante as conversas, chegou a ser discutida a possibilidade de a presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu, ocupar a vaga de vice na chapa. Segundo interlocutores, ela consultou os diretórios da sigla e ouviu da maioria a preferência por não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência. A formalização da decisão era esperada até quarta-feira, 5 de agosto.
Com a neutralidade, os filiados poderão apoiar individualmente o candidato com quem possuírem maior afinidade. Pessoas próximas às negociações afirmaram que a participação de Renata Abreu em uma chapa presidencial nunca esteve nos planos internos do partido.
A aproximação entre a dirigente e Flávio Bolsonaro teria sido intermediada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. O Partido dos Trabalhadores também buscou diálogo com o Podemos para garantir que a legenda não aderisse formalmente à candidatura do PL.
Nas negociações, também teria sido discutida a possibilidade de apoio por meio do fundo eleitoral. O PL possui a maior parcela dos recursos destinados às campanhas e poderia realizar transferências para partidos aliados, conforme suas regras internas.
Apesar da possibilidade de ampliar os recursos disponíveis, dirigentes do Podemos avaliaram que o alinhamento com uma candidatura presidencial poderia prejudicar o desempenho da legenda nas disputas proporcionais. O partido pretende eleger mais de 30 deputados federais.
Flávio Bolsonaro também encontrou resistência de outras siglas do centro político. O Republicanos oficializou neutralidade na disputa nacional, enquanto a federação formada por União Brasil e Progressistas já havia informado que não participaria de uma aliança formal com o PL.
A formação de uma coligação é considerada estratégica porque amplia o tempo disponível na propaganda eleitoral de rádio e televisão e facilita o compartilhamento de recursos. Sem novas alianças, Flávio Bolsonaro poderá ter um tempo de exposição inferior ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário na disputa.