26.8 C
Rondônia
04/08/2026 - 11:08 PM
InícioGeralGravidez interrompe estudos de seis em cada dez jovens, aponta pesquisa

Gravidez interrompe estudos de seis em cada dez jovens, aponta pesquisa

Levantamento também identifica impactos no trabalho, na renda e na autonomia das mulheres

Uma pesquisa realizada pela organização Plan Brasil aponta que 61% das jovens que engravidaram durante a infância ou a adolescência precisaram interromper os estudos. Entre as entrevistadas que não passaram por uma gestação nesse período, o percentual foi de 33%.

O estudo, intitulado “Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, ouviu 1,5 mil mulheres com idades entre 19 e 29 anos, em todas as regiões do país. O levantamento comparou as trajetórias das participantes que engravidaram precocemente com as daquelas que não tiveram a mesma experiência.

Além dos prejuízos educacionais, 83% das entrevistadas que engravidaram antes dos 19 anos afirmaram já ter deixado um emprego ou perdido uma oportunidade profissional devido à necessidade de cuidar dos filhos.

A pesquisa também mostrou que 73% das participantes relataram ter sofrido discriminação em razão da gravidez. Os episódios ocorreram em ambientes familiares, escolares e até mesmo em serviços de saúde, com julgamentos relacionados à capacidade pessoal, intelectual e profissional dessas jovens.

Outro dado revela que 59% das mulheres que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união após a primeira gestação. O levantamento identificou ainda um aumento de 19 pontos percentuais na possibilidade de casamento antes dos 16 anos.

Entre as entrevistadas que engravidaram antes dos 14 anos, metade afirmou não ter recebido nos serviços de saúde a possibilidade de realizar a interrupção legal da gestação. No Brasil, relações sexuais com menores de 14 anos são enquadradas como estupro de vulnerável.

A Plan Brasil recomenda a ampliação de políticas públicas de prevenção, educação sexual baseada em direitos e acesso facilitado a métodos contraceptivos. A organização também defende a oferta de creches com horários compatíveis com as rotinas de estudo e trabalho, além de programas de primeiro emprego direcionados às jovens mães.

O estudo ressalta ainda a necessidade de combater a violência obstétrica, a coerção contraceptiva e outras barreiras que limitam a permanência dessas mulheres na escola e no mercado de trabalho.

 

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments