- Com investimentos aproximados de R$ 87 milhões, a área a ser restaurada conta com aproximadamente 6 mil hectares
Em leilão realizado nesta quarta-feira, 25 de março, na B3 em São Paulo (SP), a Re.green venceu o leilão da Concessão Florestal destinada à restauração florestal de áreas degradadas na Floresta Nacional (Flona) de Bom Futuro, em Rondônia, com exploração de créditos de carbono decorrentes do reflorestamento. O modelo de concessão foi estruturado pelo BNDES.
Com cerca de 90 mil hectares totais, a proposta original previa a restauração de 12.375 hectares na Flona de Bom Futuro, restaurados ao longo dos 40 anos de concessão. A área foi dividida em duas Unidades de Manejo Florestal (UMF I e UMF II).
No leilão, a Re.green apresentou proposta de repassar ao governo federal 0,70% de toda a receita operacional bruta gerada na gestão da UMF-II. Com investimentos aproximados de R$ 87 milhões, a área a ser restaurada conta com aproximadamente 6 mil hectares destinados à restauração e 34 mil hectares de floresta em pé. O poder público estudará estratégia futura para a UMF I que não obteve proposta.
A principal fonte de receita será a comercialização de créditos de carbono, com estimativa de geração superior a 1,3 milhão de toneladas de CO₂ equivalente durante o período. O projeto também prevê a possibilidade de silvicultura de espécies nativas em áreas específicas, conforme critérios técnicos e ambientais definidos no Plano de Manejo.
Estruturado com apoio técnico do BNDES por meio do Acordo de Cooperação Técnica com Serviço Florestal Brasileiro, o projeto representa um marco na restauração de áreas degradadas e na promoção da economia verde no Brasil.
O modelo de concessão inclui cláusulas contratuais que destinam recursos para pesquisa científica, educação ambiental, proteção florestal e apoio às comunidades do entorno, incluindo a população indígena Karitiana. Também há incentivos para ações afirmativas de gênero, inclusão de povos indígenas e estímulo à economia local por meio da compra de sementes e contratação de mão de obra regional.
Foto: Fernando Donasci/MMA
A concessão contribuirá para que o Brasil atinja o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Já há, no país, 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, quase um terço da meta.
“Essa é uma proposta inédita. Somos um país de cultura extrativista, mesmo que em bases sustentáveis. Por meio desta iniciativa, estamos impulsionando a agenda de restauração, que gera como frutos, neste caso, créditos de carbono. Esse ineditismo significa uma virada, uma mudança de paradigma. Por isso, celebramos o resultado do leilão”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
O diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, ressaltou que o resultado do leilão comprova a viabilidade da modelagem estruturada pelo órgão. “A restauração é uma necessidade no Brasil para protegermos nossos biomas e garantirmos que as populações locais possam utilizar os serviços ambientais gerados. O sucesso do leilão de hoje é um marco que coincide com os 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro, iniciando uma nova fase. Esta é a nossa primeira iniciativa focada em recuperação ecológica, mas já atuamos com concessões há 18 anos, somando 26 contratos vigentes em constante aprimoramento. Toda essa dinâmica integra as comunidades locais, gerando emprego e renda. Essa iniciativa representa um avanço histórico pelo impacto fundamental que a restauração traz para a conservação da natureza no país”, disse.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Foto: Patrícia Alves/B3


